quarta-feira, 27 de junho de 2012

ESTUDO DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS



"É O LIVRO DA AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA VIDA E NO INÍCIO DA IGREJA"
Escrito por Elmando V. de Toledo



Neste pequeno estudo, você evangelizador poderá aprender um pouco mais sobre o livro dos Atos dos Apóstolos.

O que é o livro dos Atos dos Apóstolos?  

Trata-se na verdade de um livro de ata, isto é, um registro do testemunho e do trabalho missionário dos Apóstolos e da Igreja primitiva, o que os primeiros cristãos fizeram, como era o trabalho missionário, as dificuldades, as alegrias, os martírios. Tudo se encontra lá registrado. Ou seja, a primeira caminhada da Igreja está registrada neste livro.
Até hoje temos este costume de registrar a movimentação de uma empresa, ou nossa vida particular ou ainda um fato histórico em um diário, para que mais tarde nós, ou aqueles que nos substituirão possam ler e ver como foi nossos atos, ou os atos da empresa, da associação etc.  
É recomendável fazer uma leitura prévia do evangelho de Lucas e do Livro dos Atos dos Apóstolos para que você entenda esse conteúdo.       

Para que serve este livro?

Serve para documentar o trabalho missionário dos Apóstolos e dos primeiros cristãos. Sem ele seria difícil achar uma referência histórica de como começou a Igreja. Também é o LIVRO que mostra a Ação do Espírito Santo na vida e no início da Igreja.

É um livro interessante, agradável de ler e de fácil compreensão. Mas serve também para mostrar ação do Espírito Santo sobre a Igreja e como agiam as primeiras comunidades cristãs. Mostra-nos que Jesus Ressuscitado caminha com a sua Igreja.


Lucas encerra o segundo Capítulo dos Atos dos Apóstolos com a seguinte informação:
"E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam à caminho da salvação". (At2,47b)


Qual era o segredo dessa Igreja, que, todos os dias recebiam de Deus novas pessoas destinadas à salvação? 

Não havia segredos ou fórmulas mágicas. O combustível que movia a Igreja primitiva era a obediência às leis de Cristo, e, ao mesmo tempo, a força do Espírito Santo que lhes era presente. Possuíam um grande ardor missionário, mesmo em meio às perseguições não desistiam, não desviam seu rumo.


Para que serve uma Igreja cristã, que não segue as leis de seu criador ou ainda não têm espírito missionário?
A Igreja missionária de Atos tinha um perfil bem definido. Veja as características dessa Igreja em At2, 42-47.

  1. "E perseveravam na doutrina dos Apóstolos"; sabe qual é a grande pedra no sapato da Igreja Católica hoje? - são pessoas que embora tenham sido batizadas, não aceitam as leis de Cristo e a doutrina da Igreja, querendo seguir uma lei paralela, ou dar um jeitinho para manipular o Evangelho e a doutrina da Igreja a seu favor. 
  2. Achando que a Igreja possa compactuar com os erros e as aberrações que esses que se dizem "católicos" praticam. Nesse meio estão, padres, leigos, bispos e religiosos.  A Bíblia de Jerusalém, que traz uma tradução mais profunda dos escritos naturais diz que: "Eles se mostravam assíduos aos ensinamentos dos Apóstolos". Ou seja, tudo que os Apóstolos ensinavam era imediatamente colocado em prática. É bom lembrar que, esses ensinamentos não caíram em desuso, tudo que a Igreja faz e ensina está dentro das normas e ensinamentos dos Apóstolos. Havia naquelas primeiras comunidades a dedicação ao ensino da Palavra, pois sabiam que só poderiam evangelizar se tivessem o que transmitir; muitos pensam que o ensino, a teologia, o seminário, os estudos  bíblicos, ... é pura perda de tempo diante da urgência do trabalho missionário, mas... nenhuma Igreja verdadeiramente missionária descuida do exame das Escrituras. De que adianta evangelizar com idéias confusas ou mesmo distorcendo o foco do Evangelho e distorções bíblicas e heresias? - Hoje o que mais se vê são pessoas que agem dissimuladamente usando a Palavra de Deus para dominar as pessoas em proveito próprio. Ensinando muitas vezes um Deus que está a nossa mercê, fácil de se manipular, um Deus curandeiro, um milagreiro, antes de se preocupar com a própria salvação e a de seu povo. Tudo isso é falta de experiência cristã e ignorância evangélica, e o mais grave, usam a consciência do povo, provocando nelas medos e explorando economicamente  os fiéis. Quantas seitas agem assim... UM CASO: assisti um certo pastor, de uma determinada seita evangélica, em um canal de TV; ele disse que não precisava estudar a Bíblia para pregar o Evangelho... Teceu várias acusações até  com as suas denominações co-irmãs e contra a Igreja Católica porque os outros pastores, os padres e  os bispos estudam teologia para pregar o evangelho. Com a desculpa de que os Apóstolos eram homens simples e não estudaram a Bíblia (quem pode provar isso já que todo judeu devia conhecer a Lei de Deus?). Veja que o tal "pastor" disse uma grande besteira; Primeiro, porque, naquele tempo não existia o conjunto dos 73 escritos sagrados, bem certinho como temos hoje que é a Bíblia. Havia sim, o TORAH, os Salmos e as leis dos profetas, que todos os judeus deviam seguir e aprendiam a segui-las, sabendo ler ou não, porque havia uma Transmissão Verbal (escrita), e a Transmissão Oral, (passada de pai para filho durante as gerações), das Leis de Deus. Tradição Oral que a única Igreja fundada por Jesus, a Igreja Católica Apostólica Romana conserva e que os "crentes" dizem não existir. Os Apóstolos estiveram com Jesus, viveram o Evangelho ao vivo e por isso, aprenderam de Jesus e se preocuparam em escrever os Evangelhos para nos deixar esse testemunho. Mateus, Marcos e João foram Apóstolos de Cristo; e Lucas, secretário e discípulo de Paulo, também procurou escrever fielmente o seu Evangelho. Mas com o passar dos séculos surgiu a necessidade de se estudar os Evangelhos e com a necessidade de facilitar o compreendimento das Escrituras, também entendendo que Jesus cumpria toda a Escritura, foi reunida em um só livro as duas partes dos escritos chamados de Antigo Testamento (antes de Jesus), Novo Testamento (depois de Jesus) o que chamamos hoje de Bíblia (ou Conjunto de Livros Sagrados). Até mesmo São Paulo teve que estudar a respeito de Jesus porque ele não era Apóstolo de Jesus, era um fariseu, muito culto nas leis do Templo, estudioso, era um helênico, falava grego, latim e haramáico; línguas dominantes da época. Além de possuir cidadania dupla: romana e judia. Por isso vemos claramente como são bem escritas as suas cartas. Em Atos diz claramente que Paulo foi ter-se com Pedro a fim de aprender tudo sobre Jesus. Na Igreja, quando há necessidade de se discutir um assunto quanto à doutrina e à fé se formam os Concílios; que são grupos dos bispos, (sucessores dos Apóstolos) e esses definem o que é certo ou não. O primeiro Concílio aconteceu em Jerusalém e contava com a presença de Pedro e Paulo.   Então esse "pastor" está completamente enganado.     
  3. "Perseveraram na comunhão"... - isto é,a comunhão é essencial para a Igreja evangelizadora. A palavra grega KOINONIA, significa comunhão, compartilhamento, uniformidade. Por isso a Igreja deve ser única e não várias. Por isso é Católica, isto é deve ser uma só ligadas em um único batismo e um único fundador, Jesus Cristo. Nenhum homem pode criar uma Igreja em nome de Deus, só Jesus teve autoridade para fazer isso; há um só senhor e um só batismo; fora da Igreja as demais,  ainda que sejam sérias e bem intencionadas, são seitas cristãs. A Igreja precisa do companheirismo. Esta comunhão faz da Igreja forte e suficiente para sustentar uma obra evangelizadora. Uma Igreja sem comum acordo será marcada por intrigas, discussões, confusões; e a preocupação pela salvação fica em segundo plano. Hoje em dia está na moda o "Jesus milagreiro"  que muitas seitas espalham por aí, e se esquecem que Jesus deve ser O Jesus Salvador das almas dos pecadores, foi para isso que ele veio. A comunhão não é somente a união entre os cristãos, mas  a união com Cristo com seu Corpo Místico conforme nos ensina São Paulo, (membros em comunhão). João escreveu: "O que vimos, (a vida manifesta), e ouvimos e anunciamos para que tenhais comunhão conosco. E nossa comunhão é com o pai e seu filho Jesus Cristo". (1Jo1,3) "Segundo os primitivos cristãos, a verdadeira comunhão com Deus Pai, a comunhão vertical só seria possível mediante a comunhão entre os irmãos da mesma comunidade de Fé".
  4. "E perseveraram no partir o pão"... - A comunhão era manifestada por meio da celebração da Ceia do Senhor, isto é da Eucaristia, E de festas do Amor, (Ágape); O
    partir do pão significava, na cultura hebraica, companheirismo e consideração, era um laço de intimidade. Ser convidado para a mesa da família significava que agora essa pessoa fazia parte da família. E neste espírito é que a Igreja primitiva celebrava a Eucaristia e suas festas não para satisfazer o egoísmo e a glutonaria, como em Corinto; (1Cor11, 17-34), mas mostrar uma simplicidade e alegria mediante a divisão da comida.  A vida da Igreja deve ser Eucarística, Ela é o grande centro de amor da vida eclesial. Por isso Jesus quis ficar conosco n'Ela, estar presente, entrar em nosso ser para dos dar a força necessária para seguirmos adiante. Igreja sem Eucaristia não é Igreja
  5. "E perseveravam nas Orações"... a Oração e a missão são inseparáveis. A Igreja primitiva sempre permanecia firme e humilde, unida em oração diante dos perigos que os cercavam.  (At4, 24-31).
  6. Os discípulos pediam que o Senhor lhes desse ousadia na pregação e confirmasse a mensagem com sinais. E Deus respondeu. A Igreja que se dedica a orar será eficaz, pois falará de Deus, com ajuda de Deus. Falará com Deus  primeiro para depois falar de Deus.  
  7. "Em cada alma, em cada cristão havia temor"... - o que é temor? - é o respeito (não medo), para com Deus, as coisas de Deus, suas leis e a Religião. Temor não é medo ou terror, mas implica ter profundo respeito por aquilo que é sagrado. As coisas consagradas a Deus devem ser respeitadas e tratadas com amor.
  8. Em Jerusalém um grande temor havia tomado conta das pessoas por causa dos prodígios que os Apóstolos faziam em nome de Jesus. Esse fato ajudou na evangelização, pois a Igreja de Jerusalém tinha boa reputação e era respeitada na sociedade. Uma Igreja autêntica sempre causa impacto na sociedade.
  9.  "Muitos prodígios foram feitos pelos Apóstolos em Jerusalém..." - veja bem!, milagre não leva a conversão de ninguém, mas serve para confirmar o Evangelho. Fazer milagre não é peça principal da Igreja, o papel da Igreja é anunciar o Reino de Deus, isto é pregar o Evangelho; mas, mostra que muito mais que restaurar a saúde física, pode salvar a saúde da alma de seus delitos de pecado. O milagre acompanha a caminhada evangelizadora e só servirá se tivermos um propósito maior: fazer com que as pessoas experimentem o amor de Deus e conseqüentemente encontrem o caminho da conversão e da salvação.
  10. "Todos os fieis tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e dividiam entre os pobres de modo segundo a necessidade de cada um". -  Além desta solidariedade, havia liberdade, pois entregavam os bens em prol da obra. Quando a Igreja é cheia de comunhão e solidariedade, a obra recebe mais recursos para o seu desenvolvimento e para a missão.
  11. Na Igreja primitiva havia ensino, comunhão, celebração, devoção, reverência e temor de Deus. Havia milagres e solidariedade; havia ainda união, comunhão e simplicidade. Unidos de coração frequentavam todos os dias o Templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração. - .... - Uma Igreja missionária reza em comunidade, valoriza a sua união (comunhão); assume o compromisso com a Comunidade e a obra local.  Há no meio desse povo, uma simplicidade e alegria no momento da comunhão e como fruto de comunhão. Com todas essas características, a Igreja realmente louvava a Deus e caía na graça do povo. Deus acrescentava a cada dia novos salvos. Em tudo davam ação de graças. Pois o Senhor que dá o crescimento da Igreja. Como São Paulo disse: "Eu plantei... mas Deus deu o crescimento..." (1Cr 3,6)             



Assim, vamos estudar um pouco e sem muita complexidade este livro.

Quem escreveu os Atos dos Apóstolos?
Quem escreveu este livro foi São Lucas, que também escreveu seu evangelho e é um dos mais longos dos quatro evangelhos. 

Quem foi Lucas? - sabemos que Lucas não conheceu Jesus, conviveu com os Apóstolos, acredita-se que fora discípulo de São Paulo; portanto, seu evangelho é feito em cima de muitos estudos e informações passadas pelos Apóstolos e outras pessoas de confiança, as quais ele conviveu. Lucas é como se fosse um historiador. Ele procurou de certa forma, dentro dos recursos que tinha, se cercar de todas as certezas e relata de maneira muito peculiar toda vida de Jesus e os principais fatos.


Existem muitos relatos da vida de Jesus e Nossa Senhora que não se encontram de maneira tão detalhada como nos seus escritos. Um exemplo é, quando o anjo visita Maria, esse diálogo entre Maria e o Anjo não se encontra em nenhum dos outros evangelhos. Os detalhes do nascimento de Jesus, etc. Sua origem é grega, como disse companheiro de Paulo nas missões, escreveu os atos dos Apóstolos por volta do ano 68 d.C; Seu evvangelho, porém é anterior a este livro. Embora não fosse testemunha ocular, isto é, não conhecesse Jesus pessoalmente, o crédito de seus escritos está quando, Lucas cerca de todos os cuidados e detalhes para transmitir sua palavra. Certamente buscou saber junto aos Apóstolos e outras fontes de pesquisa que não sabemos, mas, provavelmente pessoas que conviveram com Jesus, Maria e seus parentes. O fato é, que o Evagelho de Lucas é um dos mais ricos em detalhes e muito agradável de ler, assim como o livro dos Atos.

O livro dos Atos dos Apóstolos nada mais é do que um complemento, porque dá continuidade ao seu evangelho, mostrando minunciosamente a caminhada dos primeiros cristãos e o trabalho missionário dos Apóstolos.
Se pegarmos os 3 últimos versículos do evangelho de Lucas podemos perceber que, Lucas escreve como se fosse um seriado de filmes.  Jesus deixa os discípulos, Ele sobe aos Céus, é a Ascensão:




  1. - Onde deveriam ficar os discípulos à espera do Espírito Santo?
  2. - Que esperavam eles que Jesus fosse fazer?
  3. - Para que Jesus disse que serviria a descida do Espírito Santo?
  4. - Que recomendação fazem os Anjos?
  5. - Quem costumava estar presente quando o grupo estava em oração? 


Vamos pesquisar e encontrar as respostas; abra sua Bíblia.  


Jesus pede que aos Apóstolos para não se afastarem de Jerusalém - Ats1, 4.
Os Apóstolos querem saber se chegara a hora de Jesus restaurar o reino de Israel - At1, 6; Jesus deu sua resposta - Ats1, 7.
Jesus anuncia a promessa de mandar o Espírito Santo - Lc24, 49.
Jesus sobe aos Céus - Lc 24, 50-53.
Os Apóstolos recebem a explicação para que serviria a descida do Espírito Santo - At1, 8.
Os anjos recomendam que não ficassem presos naquela cena, mas aguardassem a sua volta um dia - At1, 11.
Estavam no Cenáculo os apóstolos e discípulos, menos Judas Iscariotes,  também estava lá Nossa Senhora - At1, 13-14.



Os discípulos ficaram perplexos sem saber o que fazer. Foi preciso o alerta dos anjos:
"Homens da galileia! Porque estais aí perplexos a olhar para o alto? Esse mesmo Jesus que vistes subir um dia voltará do mesmo modo que o vistes subir!" At1,11 

Uma missão já iniciava, era a primeira decisão da Igreja de Jesus, agora sem ele fisicamente mas com a presença do Espírito Santo que eles iriam receber em Pentecostes para serem suas testemunhas.


Às vezes temos uma comunidade que prefere olhar só para o céu, sem atitudes concretas para transformar a vida a serviço de Jesus. Jesus hoje não nos mandaria para a Samaria, a Judéia mas somos chamados a dar testemunho do Evangelho onde sentimos chamados.

Mas Jesus tinha feito outro pedido: que aguardassem em Jerusalém o Dom do seu Espírito. Eles o fizeram, estavam rezando no mesmo lugar da santa ceia, onde Jesus instituíra a Eucaristia e o sacerdócio e de onde aparecera ressuscitado. Estavam com medo, pois Jesus tinha sido barbaramente crucificado. As autoridades romanas haveria de persegui-los também. Eram apenas um punhado de discípulos, juntando todos dava uns 120 entre homens e mulheres. A verdade é que poucos discípulos de Jesus ficaram em Jerusalém, tinham medo.

PENSANDO BEM... Os cristãos hoje recebem o Espírito Santo no Batismo e na Crisma. Para que serviria essa força de Deus, aqui no ambiente cotidiano em que vivemos? Há dificuldades a enfrentar? De que tipo?  


Há outras aparições de Jesus Ressuscitado e das instruções passadas aos discípulos. Essas instruções foram muito importantes, tanto para as primeiras comunidades, quanto para nós hoje. Leia: Jo 20, 19-23. 


Importante observar e entender a linguagem bíblica: - quando o Evangelho menciona  "os judeus" está na verdade se referindo a um certo grupo de judeus que se opunham aos ensinamentos de Jesus. Ou seja, os inimigos de Jesus. E não a todo povo judeu. É bom não esquecer que aqueles discípulos e os Apóstolos que estavam reunidos também eram judeus. Jesus tinha em sua maioria grandes amigos, como Nicodemos,(o fariseu), Lázaro, Maria e Marta de Betânia, Zaqueu e tantos outros...   


A verdade é que poucos discípulos de Jesus ficaram em Jerusalém. Estavam com medo de serem mortos também. Estavam escondidos...  por muito tempo eles se reuniam nas catacumbas para não serem apanhados. 
Mas Jesus Cristo Ressuscitado confia-lhes uma missão. João descreve uma palavra diferente da de Lucas, mas que é a mesma coisa: "como meu Pai me enviou, eu também envio vocês!" ... "A quem perdoardes os pecados, estes serão perdoados..." A missão dos Apóstolos e discípulos era a mesma de Jesus, ou seja, testemunhar o que Ele fez e anunciou. Isto é, o perdão dos pecados e a salvação que Deus concede por seu amor. Essa missão aparece também no final do evangelho de Mateus: "Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura, batizando-as em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei." (Mt28s)  


O perdão e o anúncio da salvação estão no centro da missão deixada por Jesus à nós. Vale para nós também. Somos anunciadores da salvação, ou vivemos lamentando que este mundo está perdido?


A caminhada destes primeiros discípulos não foi de início tão fácil. Tinham sofrido o impacto da Cruz. Queriam um líder vitorioso e se viram diante de um crucificado, derrotado fisicamente e sem defesa. Queriam um rei que governasse Israel e os libertassem do jugo de Roma, e encontraram um rei coroado de espinhos suspenso num madeiro... porque o reinado de Jesus não é neste mundo e sim no Céu... e isto Ele deixou bem claro quando Pilatos o tinha interrogado: Tu és o Rei dos judeus? Jesus disse: Você quem está dizendo... sim eu sou rei... mas não deste mundo, se fosse, meus guardas lutariam para me defender... mas meu reino não é daqui! Então tu és rei, perguntou Pilatos: Sim, disse Jesus eu sou Rei, para isso nasci, e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da *Verdade e todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. (Jo 18, 36- 37)

O Reino de Jesus passa pelo anúncio da salvação, depois pela adesão à sua proposta, isto é pela conversão, depois pela sua Igreja e depois se concretiza definitivamente Céu.
A ressurreição de Jesus traz uma outra maneira de avaliar os acontecimentos que cercaram a morte de Jesus. A vitória de Cristo os fizeram esquecer que na cruz, Deus esteve solidário com todos os pecadores. E foi isso que os discípulos e os Apóstolos fizeram após Pentecostes, a Igreja de Cristo tem por missão transmitir a verdade que Jesus deixou, e qual é essa verdade? - é o seu Evangelho - não apenas com palavras, mas com gestos e atitudes - consiste em anunciar os valores do reino e levar a salvação à todos os cantos do mundo, conforme Jesus mesmo ordenou.
     
[Agora recebem um dom do alto, o dom de Jesus, do seu Espírito. Só que ele podia fazer daquele grupo de medrosos, um grupo cheio de fé e ousadias, a ponto de mais à frente sofrerem e se alegrarem por anunciar o Evangelho. Enfrentando tudo, suportando a tudo com muita garra por amor ao Evangelho. Isso foi obra do Espírito Santo, prometido e enviado por Jesus.]


PARA QUE A IGREJA PRECISA DO ESPÍRITO SANTO?


Como vimos anteriormente, se não fosse a ação movida pelo Espírito Santo a Igreja não passava de um grupo de fracassados. Jesus havia prometido essa força que continua até hoje, é o Espírito Santo com todos os seus dons que faz a Igreja vencer a mal e proclamar o Evangelho. 
Não foi somente em Pentecostes que se encontra a presença do Espírito Santo. Desde o início Ele estava presente. Na obra da criação, descreve o livro do Gênesis, já constava que o Espírito de Deus pairava sobre as águas; Lucas descreve que Maria conceberia  Jesus pela graça e força do Espírito Santo; Após a ressurreição Jesus sopra nos discípulos para que eles recebessem o Espírito Santo. Cada uma dessas ações do Espírito Santo está ligada a uma força especial.   Até a hoje Ele age e move o mundo e a Igreja de Jesus. 


É muito importante falar em Igreja, porque alguns "crentes" tentam separar o termo "igreja", (no sentido de comunidade de fé), do termo, "Evangelho", aplicando que não existe religião; quanto que na realidade Jesus fundou primeiramente a Igreja, sua religião,  depois escolheu seus sucessores(os Apóstolos), criou o sacerdócio ministerial, isto é a autoridade sacerdotal dos bispos e do papa, elegeu seu representante, (no caso Pedro e seus sucessores), instituiu a Eucaristia e somente depois entregou essa missão aos Apóstolos dando-lhes a força do Espírito Santo Para a Igreja.


Você sabia? A Igreja foi se estruturando, e depois da morte de São Pedro em Roma, lá se fixou a sede da Igreja cristã, recebendo mais tarde o nome de Igreja Católica Apostólica Romana. Mesmo diante das perseguições a Comunidade Católica em Roma se solidificou, até que séculos mais tarde o Imperador Romano Constantino declarou o cristianismo e a fé católica como religião oficial de todo Império Romano.  

Portanto a Igreja é muito mais velha que os escritos dos evangelhos, que foram encontrados muitos anos depois. De início a Palavra da Igreja era ensinada através das pregações dos Apóstolos e depois pelos bispos e os santos padres da Igreja. São estes ensinamentos que chamamos de: "depósito da fé"  e que na qual estão consolidados toda tradição apostólica.

CURIOSIDADE: O primeiro Papa da Igreja foi o Apóstolo Pedro. E o primeiro bispo foi o Apóstolo Tiago. O Apóstolo que substituiu Judas Iscariotes no número dos 12, foi Mathias. (At 1,15-18.21-26)      


IMPORTANTE - O Espírito Santo é enviado justamente, quando se encontrava muita gente, de todo lugar, para a festa de Pentecostes. Ou seja, a festa da colheita. E essa força do Espírito Santo veio não só sobre os discípulos mas sobre todos que se achavam ali no Cenáculo. 
Vamos rever a leitura dos acontecimentos: At2, 1-5 - achavam-se ali gente de todo lugar. Isto significa que o Espírito Santo se manifestava para todos os povos. Começava ali então a caminhada ininterrupta da Igreja. A eles era necessário que tivessem essa força para que compreendessem o que seria anunciado e se convertessem. É o Espírito Santo agindo também como poligrota e tradutor, já que seria impossível aos Apóstolos se comunicarem em tantas línguas ao mesmo tempo. Essa força do Espírito  foi muito importante!


A PROCLAMAÇÃO KERIGMÁTICA DE PEDRO - Pedro começa a pregar em nome de Jesus, não apenas um discurso emocionado, mas uma catequese inteira. Vamos ler para compreender? At2, 14-39. Que coragem o Espírito santo despertou em Pedro. Lembro que eles há pouco estavam trancados, escondidos com medo. Lendo o discurso de Pedro notamos a grandiosa força de Jesus, pelo Espírito Santo que fez com que ele convertesse milhares de pessoas. 
E para isso os apóstolos falavam e os demais entendiam nos seus dialetos compreendendo tudo. Isso é a ação do Espírito Santo. Leia: At2, 7-11. 




O que Pedro anunciava naquele momento?


Em Pentecostes aconteceu a efusão, ou derramamento do Espírito de Deus sobre todos, anunciado pelo profeta Joel. A função mais importante deste derramamento é confirmar que Deus ressuscitou Jesus de Nazaré. Mostrar a todos que o crucificado não está derrotado, ele vive, Deus o glorificou, com isso confirmou tudo que Ele ensinou e viveu... É o que os presentes naquele dia ouviram de Pedro.  
Pedro anuncia que Jesus, "é o Cristo", que eles mataram e está ressuscitado, Ele é o Messias. É o anúncio da Salvação. 


E surgiu efeito, a partir daí é que começou a surgir as primeiras comunidades. Mas esse discurso de Pedro acendeu ainda mais a raiva dos perseguidores; mas agora era diferente, alguém caminhava com eles, e este alguém era o Espírito Santo que os impelia e os dava coragem para prosseguir. Foi muito difícil mas em nenhum momento desistiram, esmorecera na fé. Suportavam as prisões e os castigos com alegria por sofrerem em nome de Jesus. Isso mexeu com muitos corações.  De onde vem a força destes homens? e ficavam admirados.   


Essa é a proposta para nós hoje que anunciemos Jesus Ressuscitado, que vivamos com mais intensidade o Evangelho, tendo a certeza de que essa é a verdade que o mundo precisa ouvir. 
Naquele tempo não havia, imprensa falada ou escrita, Tvs, Rádios e Internet, foi preciso que houvesse uma força maior de Deus para anunciar intervir naquela primeira Igreja que surgiria. O Espírito Santo foi esse canal de comunicação. 
Hoje Deus nos permite que façamos esse anúncio da Boa Nova de Jesus à todos pelos vários meios de comunicação. Mas é sempre o Espírito de Deus que nos impulsiona para esse anúncio.




Os Sinais de Deus em Pentecostes - Deus usa seus sinais para nos comunicar sua presença e seu amor. Em Pentecostes Deus usou: ruído, vento e línguas de fogo. São sinais que no Antigo Testamento manifestavam a presença de Deus sobre o povo de Israel. Mas o maior sinal de Pentecostes é sem dúvida o avivamento da coragem dos Apóstolos, a franqueza ao proclamar Jesus morto e ressuscitado, como lemos, Pedro cheio da força do Espírito em seu discurso. Antes lembremos, não eram assim, estavam trancados, assustados, com medo...                                          
Que sinais hoje, chamam atenção numa Igreja? quais são os mais significativos? Ou haveria outros melhores, que nos identificam mais profundamente como mensageiros do Evangelho?


Vamos deixar bem claro que: o Espírito Santo desceu sobre todos, homens e mulheres. Não apenas sobre os Apóstolos e discípulos. É o que disse Pedro: "vossos filhos e filhas profetizarão!"


Em muitas comunidades há quem se sinta "dono" do Espírito Santo, saibamos reconhecer essa presença do Espírito nas outras pessoas, podemos até crer que existe uma legítima Igreja,a  Igreja Católica, sim, verdadeiramente, mas isso não impede que as outras comunidades cristãs não tenham a presença do Espírito Santo. Nem todas, mas a grande maioria, pois Deus não se prende ou se limita à religião, pois Ele está em toda parte. Mas também não podemos esquecer que algumas falseiam a unção do Espírito para proveito próprio, então temos que discernir bem.


A missão da Igreja que começava em Pentecostes, e a salvação dada por Jesus se estende à todas as nações que crerem no seu nome. Por isso o fato de que em Pentecostes se achavam gente de todo lugar, pois Pentecostes quer dizer, festa da colheita, tradicional do povo judeu. Sabiamente Deus escolhe esta data para derramar seu Espírito. Deus é sábio e poderoso, sabia que ali se converteria muitas pessoas de diferentes países. O efeito é a conversão de tantos e tantas e mais, estes ao chegarem em suas casas converteriam seus familiares. Era a Igreja se espalhando. Veja como Deus é perfeito em tudo que faz. Logo, a Igreja não estava mais só em Jerusalém, além de seus muros. E se hoje somos cristãos é graças a esse primeiro Pentecostes de muitos.


Outras palavras dos primeiros cristãos - é interessante observar que Jesus, ao iniciar a sua vida pública, se apresentou como o "Ungido pelo Espírito" isto é, o Cristo. O interessante é que ele explicou para que serviria essa unção. Receber o Espírito Santo não é para envaidecer ninguém, é sinal de uma tarefa que nos foi confiada e que Deus espera que a realizemos. Vamos ler: Lc4, 14-19.

Antes mesmo de doar o Espírito Santo aos Apóstolos, Ele mesmo agiu pela "força do Espírito". Ele disse: "o Espírito Santo está sobre mim" - na verdade, o Espírito santo desceu sobre ele quando batizado no rio Jordão. (Lc3, 21-22); cheio dessa força do Espírito foi para o deserto para vencer as tentações. (Lc4,1). 

Lucas, mostra que, o mesmo Espírito que conduz Jesus e os discípulos, quer ressaltar e reforçar que a missão nossa é a mesma de Jesus. "Como o Pai me enviou eu também vos envio"... Esta identidade da missão significa duas coisas: 1) Que os discípulos só podem anunciar e testemunhar o que Jesus disse e fez. 2)Que aqueles que acolhem os discípulos, acolhem Jesus.

Jesus manifestou muitas vezes o desejo de comunicar o seu Espírito aos seus discípulos. Antes da ascensão lhes prometeu: "João batizou com água, vós porém dentro de poucos dias, sereis batizados com o Espírito Santo". O própria João Batista prometera: "Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo!" (Lc3, 16).

Jesus falou umas palavras misteriosas, pouco claras aos seus discípulos antes de Pentecostes. "Eu vim para atear fogo sobre a terra, e como gostaria que já fosse aceso!" "Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que se cumpra!" Agora o Espírito chegou para "botar fogo" nos apóstolos. O fogo do anúncio do evangelho, uma vez aceso, espalha-se por todas as direções, como chamas levadas pelo vento no meio do capim seco.

Nossa missão é a mesma de Jesus. Será que muitas vezes, até em nome dele, temos comportamentos que Ele não aprovaria? Para que tem servido a presença do Espírito Santo em nossa vida?


CONVERSANDO SOBRE A VIDA


Temos vontade de fazer boas obras, de ajudar a quem precisa, ou cuidar melhor do nosso relacionamento com Deus... mas, apesar disso, freqüentemente ficamos acomodados. Aí é muito bom, se aparece alguém para nos dar um "empurrãozinho", ou seja, um convite, um bom exemplo ou uma conversa esclarecedora.                     




ABRINDO OS ATOS DOS APÓSTOLOS





Vamos ler sobre um episódio de um encontro do missionário Felipe com um estrangeiro, representante do povo africano, um etíope. Este povo não apareceu em Atos 2, em Pentecostes. Mas agora ele está "na mira" do Espírito. É mais um sinal de que Jesus será anunciado a todos os povos. Leia: At8, 26-31.36-40. Leia o texto 2 vezes com muita atenção:


Para entender melhor - este Felipe não é um dos doze Apóstolos. Faz parte do grupo dos 7 líderes helenistas, escolhido para dar assistência às viúvas de origem grega. (At6, 1-7; 8, 4-7); quando você encontrar na Bíblia o termo "helenista" quer dizer que se o texto ou a pessoa se refere aos judeus cristãos de cultura grega.


Vamos meditar:


- De onde vem a iniciativa de Felipe?
A iniciativa de Felipe vem do Espírito Santo. (v.26)


- O que o etíope foi fazer em Jerusalém?
O etíope tinha ido à Jerusalém para adorar a Deus. (v.27)


- O etíope ia lendo as escrituras?
Sim o etípe lia as escrituras. O profeta Isaías, mas não as compreendia, por falta de alguém que lhe explicasse. E o trecho que lia se referia à morte com Jesus sofrera. E felipe anunciou Jesus a ele. (v.30-37)


- O que aconteceu com o etíope?
Ele creu e foi batizado imediatamente tornando-se um cristão. (v.38)


- O que acontece com Felipe depois de cumprir a missão?
Felipe então foi arrebatado pelo Espírito Santo e levado para outro lugar. (v.39)


Esse episódio nos mostra a necessidade que Deus tem de que é preciso evangelizar e converter as pessoas, para que elas conheçam a salvação. Muitas vezes em nossa comunidade falta gente para levar a palavra de Deus. Muitos querem entender sobre a Bíblia, Jesus, o catecismo. Ou seja, querem ter um melhor encontro com Jesus e muitas vezes encontram apoio nas seitas, que lhes explicam um evangelho manipulado. Nós precisamos despertar para a evangelização. Levar Cristo de verdade aos outros. Não é cobrar as coisas em cima daquilo que eles não podem dar. Mas oferecer a chance de conhecer melhor Jesus, a salvação por ele oferecida e a sua Igreja.




Felipe dá uma atenção especial ao etíope. Conversa com ele, partilha das escrituras, essa é a mesma coisa que Jesus tinha feito com os discípulos de Emaús! lá também a escritura inflamava os corações dos discípulos que andavam desanimados. Vamos reler, Lc 24, 13-32. Aqui o Espírito Santo nos mostra um caso de evangelização pessoal. Felipe vai ao encontro do etíope. Hoje a evangelização "personalizada" é uma necessidade? o que você acha?


É Pentecostes que continua, ele não para. A efusão do Espírito Santo não aconteceu uma só vez. O Espírito é um dom que Deus distribui com generosidade, a todos os que procuram a salvação e se abrem seu coração a  fé .
Em Cesaréia, cidade onde residiam as autoridades romanas, Pedro vai ao encontro de um centurião romano, um soldado, é Cornélio. Um pagão de coração aberto para Deus e que queria ser batizado ele e sua família. Lá o Espírito santo mostra que, Ele não é apenas para os judeus, ou mesmo prosélitos (pessoas convertidas ao judaísmo), mas para todos. A todos é dado o direito de receber o Espírito Santo e conseqüentemente a salvação em Cristo. Vamos ler: At10, 44-48.


Nos dois textos referidos acima em Atos, vimos o Batismo como coroação de uma adesão a Jesus, confirmada na presença de um representante (legítimo), da comunidade cristã. Porque falo legítimo? - Porque só quem tem autoridade do Espírito Santo pode conferir o batismo, os batizados e crismados na Igreja em alguns casos especiais onde não haja a possibilidade de um sacerdote (ou presbítero) ou mesmo um diácono conferir o batismo. No primeiro episódio do etíope vimos que foi o diácono Felipe que conferiu-lhe o batismo. No segundo, vimos que foi o Apóstolo Pedro quem conferiu o batismo ao centurião Cornélio.


Importante! - nós fomos batizados porque a fé dos primeiros discípulos e dos Apóstolos transmitiram de geração em geração. Devemos a eles nosso conhecimento do Evangelho; mas não só a eles, a muitas pessoas que como eles nos encaminharam na fé e alimentam nossa esperança de alguma forma.
Atenção! - algumas seitas estão ensinando heresias por aí dizendo que:

O Batismo deve ser feito em nome de Jesus apenas, porque os Apóstolos não mencionaram no NT, (Novo Testamento) que batizavam em nome da Santíssima Trindade: Pai Filho e Espírito Santo. Cuidado com isso!, porque a Ordem do Batismo Cristão na Santíssima Trindade é do próprio Jesus e não dos Apóstolos. E há referência sim, está em Mateus 28, 1a. Quem faz acontecer o batismo é o sacerdote (em nome de Jesus), mas quem infunde a graça no batizando é a Santíssima Trindade.  
"Ide pois, a todo mundo, pregai o Evangelho a toda criatura, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei!"  



"Quando Lucas escreve para as comunidades que são descritas no Livro dos Atos dos Apóstolos, ele fala que Maria e suas amigas estavam no Cenáculo, reunidas com os Apóstolos, quando aconteceu a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, nascimento da Igreja. Celebramos este evento todos os anos depois da Páscoa e Ascensão de Jesus ao Céu.

Deste modo atualizamos aquilo que se deu a mais de dois mil anos, a primeira experiência do Espírito de Cristo ressuscitado na fundação da Igreja como povo que Deus escolheu para anunciá-lo ao mundo.
O Livro dos Atos dos Apóstolos nos diz que o Ressuscitado se deu a conhecer às testemunhas que Deus havia escolhido. Também dentro desta escolha está Maria e suas companheiras que seguiram Jesus durante sua vida terrena.

Elas conheciam Jesus porque acreditavam no que Ele pregava e realizava. Maria está nesse grupo, ainda que os Evangelhos não falem diretamente, mas nas entrelinhas dos textos escritos pelos evangelistas, a fé, isto é, a teologia, lê e interpreta que  o Espírito deu força e coragem a Maria, a suas companheiras e os Apóstolos. Agora o Ressuscitado aparece na transparência da fé dessa Comunidade constituída de mulheres e de homens, pessoas que formam a Igreja como Povo de Deus fazendo experiência concreta e transparente do Cristo Ressuscitado que se revela pelo seu Espírito.

O alcance teológico desta fé é afirmar que a Igreja é formada por homens e mulheres que se identificam com Jesus Ressuscitado e constituem a Igreja como Mistério de Deus e de Cristo, Igreja que tem sua origem eterna na vida trinitária divina, na pregação de Jesus e na Comunidade de fé, que é o Reino de Deus na Terra. Nessa afirmação de Igreja, a Mariologia tem um alcance ecumênico, porque as Comunidades de fé evangélica aceitam que a Igreja tem uma dimensão de Mistério que forma o Corpo Místico de Cristo no qual cremos e confessamos, tanto católicos quanto protestantes.
Maria foi sempre a primeira mulher a receber o Espírito Santo fundador da Igreja, pela sua fé, no momento da Encarnação do Verbo de Deus, quando pronunciou o seu sim".           


O ESPÍRITO SANTO ABRE CAMINHO À PALAVRA




Recomendo que se faça a leitura do capítulo de Atos2, 14, 16.


O povo judeu tem uma longa história de Aliança com Deus. A partir das situações difíceis que o povo enfrentou, especialmente quando foi escravo no Egito e exilado na Babilônia. Esse povo nasceu de uma de uma intervenção de Deus que o escolheu para fazer nascer dele o Messias. A partir desta expectativa era interpretada muitas passagens das Escrituras. O povo via, nos discursos de figuras marcantes de sua tradição, alusões e sinais referentes a essa pessoa especial, o Messias. O ungido de Deus que iria mudar a história. 


Na verdade, o povo judeu foi dominado por várias nações, como os babilônios e os romanos que os fazia trabalhar como escravos, vivendo em profunda miséria e pagando altos impostos. Como se não bastasse os seus líderes religiosos aliados ao poder do governo jogavam altas cargas sobre o povo e leis que os pesava como fardos. Por isso Jesus muitas vezes criticava os fariseus e os sacerdotes pelas leis que eles faziam o povo cumprir em nome de Deus, mas não passava de uma "escravidão religiosa"; mas eles mesmos não cumpriam a Lei. Jesus condenou esta prática. Foi por isso que ele disse: "vinde a mim todos que estais cansados, pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve".   Mas o que eles esperavam? - eles esperavam não um Messias que iria libertar dos pecados. Mas alguém, um novo rei que iria restaurar o governo de Israel que foi posto nas mãos de outros dominadores. E Jesus veio com outra missão. Veio para nos libertar, nos resgatar do pecado. Essa era a missão de Jesus. Quando Jesus morre daquela maneira na Cruz, o povo fica desiludido, porque não acreditavam no que viam. Embora Jesus fosse poderoso, fizera muitos milagres, morreu pregado na Cruz.


Quando Jesus ressuscitou, e veio o Espírito Santo, Pedro vem falar ao povo e diz: "vós o mataste, vós o crucificaste". Não uma acusação ao povo, mas para dizer que todos os discípulos de Jesus pertencia ao povo judeu. Que ele ressuscitou dos mortos para lhes oferecer a salvação dos pecados a todos que crêem. A salvação é destinada primeiramente ao povo judeu. (O estudo da bíblia não pode servir para alimentar preconceitos). Era preciso que Jesus fosse anunciado como salvador de toda humanidade. Isso parte da pregação, da palavra anunciada.


Para Pedro, a primeira conseqüência de ter recebido o Espírito Santo foi a pregação da palavra. a relação entre o Espírito e a Palavra aparece  como forte característica no livro dos Atos. Nele o Espírito Santo é citado 58 vezes e o termo "Palavra", 32 vezes. Além disso quase um terço dos versículos deste livro são discursos e pregações. Como vemos é de fundamental importância o anúncio da palavra. A Igreja foi fundada para isso, somos batizados para isso. Ao contrário do que muitos pensam que a Igreja foi feita para fazer milagres. Como vemos por aí tantas denominações que prometem aos seus fiéis milagres e não a semente da Palavra em primeiro lugar. Ainda que não houvesse nenhum milagre dentro da Igreja, isso não é mais importante para Deus  do que o anúncio do Evangelho e a conversão dos seres humanos. 


Continuando ... Pedro, falando aos judeus, argumenta numa linguagem que eles conhecem bem e trazem no coração. Recorda a palavra de Deus na profecia do profeta Joel e do texto sobre Davi. Ele apresenta Jesus como realização das promessas feitas por Deus na tradição do povo judeu. Essa e uma característica dos Atos dos Apóstolos. Demonstrar que Deus está cumprindo suas promessas e que portanto, os cristãos podem confiar nas propostas de Jesus. Não é interessante? ...  Precisamos fazer o anúncio do Evangelho numa linguagem que fala ao coração das pessoas. Será que estamos sabendo fazer isso?




Pedro fala de coisas familiares a seus ouvintes , mas não para por aí. Ele se concentra num dado novo, a ressurreição, centro de toda a pregação apostólica e motivo de grande esperança cristã. Não era uma idéia tão fácil de ser aceita. Como hoje também não é. Quantos que se dizem cristãos acreditam mais na reencarnação do que na ressurreição que na qual Jesus mesmo nos mostrou que existe? - Mas era parte indispensável do anúncio, o fato que marcava a aprovação de Deus à vida e aos ensinamentos de Jesus Cristo. A ressurreição dava um novo sentido ao escândalo da cruz. E proclama a vitória sobre as forças do mal. Mais tarde Paulo Apóstolo vai dizer que: "a cruz que era escândalo para os pagãos, para os cristãos é sinal de salvação!"


Pensemos! - há gente desanimada porque o mal, o pecado, a injustiça parece invencíveis? Anunciar a ressurreição é mais do que contar algo sobre Jesus. Mas é assegurar que temos bons motivos para ter esperança em Deus, porque Ele está no comando, quer a salvação e não permite que a morte eterna seja o destino final para aqueles que Ele o quer. Mas é preciso que nós façamos a nossa parte que aceitemos, nos reconciliando com Deus e aceitando Jesus como nosso Senhor e Salvador.


Em Pentecostes acontece uma mudança de sinal, qual é essa mudança?


No Antigo Testamento, lemos que povo de Israel tinha uma aliança com Deus, e Deus tinha uma aliança com Israel. Isto é, quando falamos em aliança, estamos falando das promessas que Deus Javé fez com seu povo. Mais precisamente com Abraão e depois com Moisés. O meio, ou sinal visível de lembrar esta aliança era a circuncisão. Depois que a criança nascia era feito esse sinal como marca da aliança de Deus com seu povo. É bem verdade que os profetas haviam pregado que a sinceridade de coração era o mais importante, mas havia grupos apegados à tradição judaica, que os impedia até de repartir a refeição com quem não era circuncidado. Isso também era um problema entre os cristãos que se reunia em torno da mesa do Senhor.


No Novo Testamento encontramos essa situação que logo se vai tomar uma decisão, que não haja distinção entre os cristãos. E como Jesus mandou batizar e não circuncidar, o batismo se tornou o sinal visível da efusão do Espírito Santo na Nova Aliança de Jesus, sobre aqueles convertidos. E também se torna o Sacramento de Iniciação para a vida Cristã. Substituindo a circuncisão. Pois o grande problema relatado nos Atos dos Apóstolos era o fato do relacionamento entre os cristãos de origem judia e os cristãos de outra cultura, (não circuncidados). A grande questão era: todos teriam que ser iguais, seguindo os mesmos costumes e tradição religiosa? Ou, sendo respeitado poderia haver diversidade de acordo com a cultura de cada grupo? Bem,... se escolhessem a primeira opção haveria então a exclusão social e religiosa entre os cristãos.
Vamos fazer uma leitura de At10, 1-22.34-43 perceber que:


1. As condições para qualquer pessoa ser "agradável ao Senhor!"  
Os profetas estavam certos no que ensinavam: não é a circuncisão o mais importante e sim a sinceridade de coração. Neste texto que lemos, o centurião Cornélio era um homem de coração puro e temente ao Senhor.


2. A importância de ser testemunha do que Jesus fez.
A missão do cristão é dar testemunho do que Jesus Cristo fez, Deus o ungiu com o Espírito Santo, com seu poder curou os enfermos, ressuscitou os mortos, expulsou os demônios, libertou os oprimidos. 


3. A Presença do Espírito Santo na ação de Jesus.
Jesus o enviado do Pai, possuía o poder do Espírito Santo. Por isso toda ação é Jesus é também ação do Espírito Santo.


4. A apresentação de Jesus Glorificado por Deus.
Não teria nenhum sentido para nós crer em Jesus se ele não estivesse glorificado. Isto é se ele não fosse Deus. Se Jesus não tivesse ressuscitado, vã seria nossa fé, nos diz São Paulo.


Vamos pensar.... Não foi fácil para Pedro chegar à conclusão que Deus não faz distinção entre as pessoas, mas que em qualquer nação, que o teme e pratica a justiça lhe é agradável. Pedro também era um judeu conservador por assim dizer, acostumado a observar a Lei de Moisés, para os judeus e,  consequentemente para Pedro e outros, quem não era circuncidado era impuro.
Também Pedro era educado a separar os "puros" ou circuncidados, dos "impuros" ou não circuncidados.
Foi preciso que Deus lhe abrisse os olhos com aquela visão, mostrando para para que ele não resistisse em ter com Cornélio e o batizar pois de agora em diante o que unia as pessoas não era a circuncisão mas o Espírito Santo.


É o Espírito Santo que nos santifica e nos torna puros diante de Deus, e o seu sinal é o batismo. Deus é para todos, todos que querem servir a Deus. O profeta Jeremias já havia advertido sobre isso. (Jr 4,4); portanto Deus quer a união da humanidade na prática do bem. Pessoas e nações ainda precisam reconhecer que fazemos parte de uma única família, somos todos filhos do mesmo Deus. 


Nós muitas vezes classificamos as pessoas com rótulos que não levam às verdadeiras intenções do coração. Nós somos preconceituosos. Não seria melhor deixar que o Espírito Santo nos ajude a valorizar cada um por aquilo que realmente é, sem preconceitos?


Este episódio descrito no livro dos Atos vem nos ensinar que:


A Boa Nova de Jesus é a notícia da paz., aberta a todos, Ele viveu e morreu por nós. Seu amor salvador é dirigido a todos que o aceitem como seu Senhor e Salvador.  Quem quiser ser seu discípulo deve ampliar o campo de seu amor. Devemos ser abertos a todos que acreditam no Cristo. Não é porque somos cristãos católicos que não podemos estabelecer um diálogo com cristãos que não fazem parte da igreja e tratá-los com indiferença. 


Tendo declarado que Deus acolhe todas as pessoas que o respeitam e praticam a Justiça, venham de onde vierem não podem ser discriminadas. Pedro volta à pregação, o anúncio do bem que Jesus realizou, da salvação que ele nos trouxe e da aprovação de Deus em tudo que ele viveu, atestado pela ressurreição. 
Toda pregação apostólica está centralizada nisso. É a espinha dorsal do QUERIGMA. Nenhuma devoção, espiritualidade ou preferência particular pode ocupar esse lugar central em nosso anúncio. A adesão a esta verdade central nos identifica como discípulos de Cristo.


Pensemos... ao evangelizar estamos de fato anunciando o mais importante, ou nos perdemos nos pormenores? 
Fica mais fácil construir a unidade na diversidade, se soubemos distinguir o que é essencial e o que é fundamental: Jesus na sua missão salvadora e a esperança que nos vem da ressurreição  são pontos essenciais onde diferentes igrejas estão de acordo. Seria possível anunciar juntos esse núcleo da fé?




       


A ORGANIZAÇÃO COMUNITÁRIA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS




As primeiras comunidades viveram uma situação interessante: Jesus sendo judeu (praticamente sincero da religião que sua família lhe transmitiu), foi acolhido pelos chamados "pagãos". Ele se torna ponto de encontro de culturas diferentes. Quem era judeu como ele, poderia achar-se meio "dono" de uma tradição onde os outros teriam que se encaixar. Mas não foi assim que o cristianismo cresceu; ele acolheu gente de tradição judaica e gente de outros povos, num sinal do amor salvador universal de Deus.




Neste ponto entra uma personalidade importante: Saulo de Tarso, esse "personagem" entra somente nos relatos dos Atos dos Apóstolos. Vamos conhecer quem foi Saulo:


Saulo era natural de Tarso, era um judeu que foi criado e educado, aprendendo as leis de seu país e doutor nas leis judaicas do Templo. De grande cultura, obteve cidadania romana, falava muito bem o grego e o hebraico. Seu mestre foi o sacerdote Gamaliel que o fez um grande  homem, convicto e fervoroso.
Gamaliel era um sacerdote muito sábio e prudente que não tomava decisões injustas. At5, 34.
É esse Saulo que foi escolhido para comandar um grupo de soldados que iria em encontro dos Cristãos a pedido dos fariseus. Os cristãos confessos não eram numerosos em grupos, mas por causa dos grandes prodígios dos Apóstolos e da maneira simples e de fé sólida em Cristo como eles viviam, despertaram o interesse dos fariseus em querer prendê-los e torturá-los para que negassem a fé em Jesus. Eles se reuniam para a fração do pão (a Eucaristia), muitas vezes nas catacumbas ou em casas de amigos. 


E Saulo, então é posto como um perseguidor implacável dos cristãos. Os cristãos tinham pavor de Saulo. Embora vivesse na mesma época que Jesus, Saulo não o conheceu pessoalmente. Tudo que aprendeu sobre Jesus aprendeu dos Apóstolos, inclusive de Pedro.


Vamos fazer uma leitura: Abra sua Bíblia.


Ats4, 32-35 - Havia justiça entre os primeiros cristãos. 
Ats5, 1-10 - Na comunidade cristã não havia lugar para injustiças.
Ats5, 12-16 - Os cristãos começavam a fazer a diferença, a Igreja começa a crescer e causar incômodo aos fariseus.
Ats6, 1-; 7, 1-53 - Começa a distribuição dos ministérios, os diáconos cuidarão da assistência aos necessitados. A palavra de Deus pregada pelas boas obras. O diáconos pregavam a palavra de Deus, nasce a catequese. Prega-se a Querigma.
Ats8, 1-3 Saulo aprova a morte de Estêvão e persegue os cristãos. Mas a partir daí uma coisa o incomodou, a morte de Estêvão provocou-lhe uma inquietação interior, pois, aquele jovem ainda que martirizado não negou sua fé em Jesus, pelo contrário, diante da morte certo de que Jesus estava com ele, entregou sua vida com dizendo como Cristo na Cruz: "Senhor Jesus, em tuas mãos entrego meu espírito!"  
Ats9, 1- 42; - Jesus chama Saulo para o Ministério de Apóstolo, Saulo se converte e adota o nome de Paulo. Jesus sabia que Paulo uma vez convertido seria aquele capaz de levar até o fim sua missão. E a coragem de Paulo após a conversão foi tamanha, que ele compara o que aprendeu antes de conhecer o Evangelho de "esterco". E Paulo diz com convicção que: "o viver para ele é Cristo e o morrer com Cristo é lucro". Ou seja, para Paulo nada era mais importante, nada era mais nobre do que estar do lado de Jesus e anunciar o Evangelho aos povos. Foi o que ele fez a vida toda incansavelmente. 


Agora que lemos na Bíblia como é que surgiu a figura de Paulo, imaginemos a assistência de Jesus escolhendo Paulo para ser Apóstolo, foi um pulo e tanto. Não foi fácil para os demais discípulos acreditarem que Paulo havia se convertido. Como pode aquele que perseguia cheio de ódio para com os cristãos, agora dizer que estava convertido em Jesus? Mas porque Paulo?

  1. Paulo era convicto, sincero e honesto no que fazia. Sua conversão foi radical, sem demais questionamentos. Para Paulo Cristo era tudo. O que ele viveu e aprendeu lá atrás nada era maior que Cristo.
  2. Jesus sabia que a conversão de Paulo seria pra valer, porque, era um homem sincero de coração e não voltava em suas decisões. Além disso, Jesus sabia que tipo de homem era Paulo capaz de fazer a Igreja se estuturar, pois era uma homem inteligente, sábio, coerente em suas ações e temente a Deus. E foi o que ele fez fundou diversas comuniaddes cristãs contribuindo para a expansão do cristianismo no mundo. Paulo defendia que a Igreja é para todos e por isso devia ser estendida a todos Judeus ou não. 
  3. Paulo levaria o Evangelho para outros povos.
  4. Ajudaria a Pedro na tarefa de expandir a Igreja para fora de Jerusalém como era o desejo de Jesus.
  5. Já que Mathias (que ocupou o lugar de Judas Iscariotes); Paulo uniria a Pedro (por isso, ele não foi substituto de Judas Scariotes e sim, Mathias, mas ele e Pedro são foram um só na fé à frente da Igreja),    e ocuparia de fazer a organização da Igreja. O grupo dos 12 estava completo e reforçado.  
  6. Era um homem formado, culto nas leis civis e religiosas, que lia e escrevia muito bem, sabia das leis do Templo, era culto, inteligente capaz de  dar assistência espiritual às Comunidades cristãs em todas circunstâncias e assim o fez muito bem. E é graças a Paulo que hoje, nós povos de outras nações, somos cristãos.   




Mas é justamente depois de um encontro com Barnabé, que foi apresentado a Pedro e Paulo foi aceito com muito carinho na Comunidade cristã, depois de toda confusão em torno dele. Mas Paulo teve um papel fundamental: levar o Evangelho aos pagãos, também chamados de gentios. E assim o fez até o final dos seus dias. É a partir de Paulo que a surge firmemente as Igrejas, isto é, comunidades de fé consolidadas, firmadas.


Qual era  a Estratégia de Paulo? - era formar grupos de cristãos, as comunidades em vários lugares em que passava, essa comunidade passava a praticar e a viver a palavra de Deus, bem como tinha o compromisso de evangelizar também e assim aumentar o número de fiéis. Enquanto isso Paulo considerava-se como um atleta de maratona que corria para se chegar a meta, isto é, levar a palavra de Deus aos quantos fosse possível sem parar, até a morte. E assim o fez, conservou a fé da Igreja até a morte. 


Vamos Ler lá em Efésios 2, 14-18 o que Paulo escreve:   


Paulo fala do anúncio da paz aos que estavam longe e aos que estavam perto. Aos judeus próximos da tradição na qual nasceu Jesus, e aos povos estrangeiros de todas as cidades em que o cristianismo ia florescendo. A mensagem de Jesus se espalhou como ele queria. Hoje somos chamados a anunciar, (e fazer acontecer) a paz aos que estão perto, na nossa casa, dentro da nossa Comunidade.  E também aos que estão longe, pode ser geograficamente falando ou ainda pessoas que por uma razão e outra, afastaram-se de nós e da Comunidade Igreja em que vivemos, ou ainda gente de quem o nosso coração está distante.   


Paulo descreve a misericórdia de Deus agindo sempre no meio de seu povo, e esta salvação veio nos resgatar da morte do pecado em Jesus Cristo. Tudo isso é, pela graça de Deus e por ela é que fomos salvos. A salvação é dom de Deus, pela sua bondade e amor, nós não a merecemos mas Deus nos dá, ela passa por Jesus. E o mais importante, somos criados em Jesus Cristo. Quer dizer, somos inseridos em um novo nascimento, o batismo. E somente através de nossas boas ações é que essa graça poderá acontecer. Ações que não devem servir para nosso orgulho mas para a glória de Deus. Paulo também mostra que Jesus veio para todos nós, judeus, e também para "os gentios" ou "incircuncisos". Pois Jesus Cristo veio nos congregar em uma só comunidade, a comunidade dos filhos(as) de Deus. Não há mais separação.   


Paulo é aquele é comunica a paz e a misericórdia de Deus em Cristo. Cristo é nossa paz. Pela Cruz de Cristo somos um só povo. Logo deve haver a paz entre os povos pois é o Espírito Santo é nos congrega e nos une pelo batismo.


Vamos ler: Rm8, 18-25:


O cristão é basicamente um sinal de esperança. Paulo fala das maravilhas da vida que Deus quer dar a todos. Uma vida tão completa, tão boa que não dá para comparar com a nossa experiência terrena. Com Deus, tudo acaba bem, muito melhor do que podemos imaginar. Não há como descrever a vida junto de Deus. As palavras e imagens que usamos para falar do céu, da vida eterna, não apenas frágeis tentativas de dizer que vai ser muito bom. É prudente desconfiar de quem pensa que sabe como são as coisas do além.


Pensando... muitas perguntas práticas que alguns gostam de fazer sobre a vida após a morte não têm mesmo um resposta exata, em detalhes. Só sabemos o que Jesus revelou: que  a morte não é o fim mas algo muito bom que nos espera. Embora esteja empolgado com as maravilhas da vida futura em Deus, Paulo não desvaloriza as realidades deste mundo. Ele nos apresenta a criação inteira como parceira nessa espera do melhor. Ele quer a natureza libertada do mal, para participar conosco da maravilhosa liberdade dos filhos de Deus. Se Paulo vivesse hoje, talvez incluísse nessa espera também as criações humanas, a tecnologia, a ciência. As obras humanas precisam igualmente ser purificadas de todo injusto, para poderem fazer parte do grande hino de louvor em que toda a natureza é chamada a proclamar a glória de Deus.


Você acha que se prepara bem para o céu, quem foge dos compromissos desta vida?        


IMPORTANTE! - no Concílio Vaticano II, nossa Igreja declarou que as boas realizações humanas serão purificadas e salvas conosco: ..."todos esses bons frutos da natureza e nosso trabalho, nós os encontraremos novamente, limpos contudo de toda impureza, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno universal"... 


Uma pergunta: temos uma espiritualidade que nos ajuda a perceber os recados de Deus na natureza? E nas conquistas da tecnologia, criação humana?


Medintado com você


Para quem somos portadores desta paz? Sabemos construí-la na nossa casa e em nossa Paróquia? Buscamos nos comunicar com os que estão "longe", ou ficamos restritos ao mesmo grupinho de sempre? As pessoas precisa nos procurar para serem notadas, ou sabemos ir ao encontro delas?


Todos temos acesso ao mesmo Pai e ao mesmo Espírito - diz a carta aos Efésios. A ação do Espírito é sempre destacada no livro dos Atos; ele é a alma da evangelização. E trata-se do mesmo Espírito para todos, embora sejam diferentes os dons em cada um, tradições e culturas. A comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus Cristo é chamada a ser sinal dessa unidade, para que se torne evidente que há o mesmo Espírito animando a todos.


Frequentemente em nossa vida comunitária, deveríamos lembrar que a unidade e a paz que fomos capazes, (ou não) de viver, para os de fora, conta como confirmação ou negação do nosso anúncio do Reino.


Por isso devemos ser abertos ao ecumenismo, e é isso que o Santo Padre João Paulo II e agora recentemente nosso Papa Bento XVI mais insiste, abertura ecumênica, isto é os cristãos devem se unir em favor do Evangelho. 










A NATUREZA EM COMUNICAÇÃO COM DEUS


Vamos ler: 


Atos 14, 15-18 ; Romanos 8, 18-25 e Colosensses 1, 15-20.


Conversando sobre a vida - As crianças costumam fazer suas perguntas sobre Deus olhando para a natureza. Diante das coisas que não saíram de mãos humanas, elas perguntam: Quem fez? - e aprendem a maravilhar com esse poder do criador. Espera-se que mais tarde, possam também aprender a louvar a Deus diante da tecnologia, do panorama urbano, afinal, tudo que o homem constrói também faz parte do grande mistério da criação. Mas, sem dúvida, a natureza não transformada costuma ser o primeiro espaço de louvor. 


Abrindo os Atos dos Apóstolos - Paulo e Barnabé estavam pregando em Licaônia. Um coxo de nascença, que os ouvia pregar foi curado. A multidão admirada com os feitos dos Apóstolos começaram a aclamá-los como deuses. Os dois protestaram e começaram a convidar o povo à conversão do verdadeiro Deus. Como era camponeses, Paulo e Barnabé usou a natureza para explicar a presença criadora do Senhor, numa linguagem bem próxima às suas realidades.
Vamos ler: At 14, 15-18.
Jesus também se utilizava da Natureza para explicar o amor do Pai, não só com exemplos nas suas parábolas, mas se utilizou de de vários elementos dela. Por exemplo: a parábola do "grão de mostarda", a "parábola do joio e do trigo". Jesus acalmou a tempestade.


O objetivo é mostrar que o poder e a presença Espírito Santo, desde a obra da criação do mundo, na ação e na vida de Jesus agora e sempre é o mesmo na ação e na vida da Igreja. Deus sempre se faz presente. 
Hoje como naqueles tempos alguns milagres nos impressionam. Mas na verdade quando isso acontece não é mérito deste ou daquele, pois o homem não tem poder algum, mas é obra de Deus. É o Espírito Santo se manifestando. E um só é o objetivo, nos conduzir para uma mudança de vida e uma intimidade com Deus a ponto de obtermos a salvação. 


É IMPORTANTE VOCÊ SABER


Paulo e Barnabé não aceitaram ficar com a fama de milagreiros, ou de deuses. Sabiam que eram apenas instrumentos à serviço de Deus. Não se vangloriaram.
No trabalho, na família, na escola, no governo, etc. as coisas poderiam ser bem melhor realizadas e não haveria tanta exclusão se as pessoas entendessem, assim como os Apóstolos entenderam, que somos apenas instrumentos da ação de Deus no mundo. É Deus que faz a obra. mesmo se tratando de algo sobrenatural. 
Mas na maioria das vezes, buscamos o próprio prestígio e não agradar a Deus, não somos realmente humildes.


Outro fato interessante: devemos falar de Deus às pessoas, usando uma linguagem de acordo com a cultura de cada um. Deus não age na arrogância e na prepotência, mas na simplicidade. 
Deus não nos trará soluções mágicas para desempenharmos nosso papel, ele nos dará inspiração e inteligência para fazer acontecer seu projeto. Deus não interfere na ação humana, apenas nos mostra o caminho do certo e do errado para que possamos conduzir nossas ações. Ações estas, que devem ser de justiça e paz. O homem só será completamente realizado se Deus for sua meta principal.


Quantos não são agradecidos a Deus nem pelo café da manhã, ou por ter tido a graça de viver mais um dia?
Quantos em nome de um capitalismo destruidor, estragam a sua própria casa que é o meio ambiente, a natureza. E depois culpam a Deus pelos imensos desastres, como enchentes, alagamentos, tsunami, ...? 
E se esquecem que não cuidar da natureza também é falta de caridade e amor a Deus.


É preciso cultivar  a obra de Deus. Usando sim os recursos do planeta, não para destruir mas para preservar.
Será que ne minha vida e na sua falta um ser religioso que  promove um economia "ecológica"? 
Não basta admirar o que é bonito mas preservar e cuidar, educar nossos filhos à consciência de que Deus nos deu esse mundo, se acabarmos com ele acabaremos com nossa própria casa que será de nossos descendentesLembremos que a salvação se estende não apenas aos homens mas também à toda criatura. Portanto o cristão que não cuida das coisas criadas por Deus para o seu bem, não está de acordo com o plano de salvação dado por Deus.




Na carta aos Romanos Paulo inclui a criação na espera da realização de um mundo novo. Regenerado que está na promessa salvadora de Deus




UMA NOVA PROMESSA À CAMINHO


Uma das muitas propostas vividas no livro dos Atos é a esperança de uma nova promessa.E qual é essa promessa?
Essa promessa é dada pelo próprio Cristo, a Parusia. Isto é, Jesus virá outra vez. "Haverão novos Céus e uma nova  Terra"; quem a renovará é o Espírito Santo. Por isso que toda ação do Espírito Santo neste mundo sobre os homens e sobre todas as criaturas é para que isto aconteça.


A parusia é prometida por já na ascensão. Foram os anjos quem anunciaram o nascimento do Messias, e foram os anjos que anunciaram a segunda vinda gloriosa de Jesus. A partir da parusia todos serão julgados conforme nossas obras.Cristo então reinará com todos seus eleitos, cumprindo o que ele disse: "o meu reino não é deste mundo" ... "um dia  vereis o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu"...


Mas o que a mensagem de Atos nos revela é que o reino de Deus começa desde já, Jesus conta com nossa iniciativa de promover tudo para que todos sejam aceitos neste Reino.




ESPÍRITO DE PARTILHA





Lucas descreve um detalhe muito importante: os primeiros cristãos tinham tudo em comum. Isto é, partilhavam o que tinham de modo que ninguém passasse necessidade. (At4, 32-35); Os primeiros cristãos plantaram e resgataram o espírito de Justiça e Fraternidade que não havia entre os fariseus. Cuidavam da assistência social e se organizaram para isso. De modo que punham seus bens e o que recebiam a serviço dos necessitados.Os que tinham mais repartiam com os que tinham menos.


Havia nas comunidades uma divisão de tarefas. Cada qual cuidava de uma coisa. Uns cuidavam dos doentes, outros das necessidades dos mais carentes, outros dos desamparados como as viúvas e os órfãos e outros da pregação da Palavra de modo a não sobrecarregar os Apóstolos.  


Em nossa comunidade, em nossa família partilhamos o que temos. Cuidamos de dar assistência aos que precisam principalmente os mais carentes de nossa Comunidade? Nossos bens estão à disposição, ou deixamos nosso egoísmo tomar frente dos nossos propósitos de solidariedade?


Temos que tomar o cuidado para que na nossa Comunidade as tarefas possam ser divididas, não acumular funções nos grupos, nem sobrecarregar uma só pessoa. Há gente que se puder quer fazer de tudo e não dá conta do recado. Isso também é egoísmo de nossa parte. E as vezes criticamos as pessoas pelo seu trabalho e não nos damos conta de que sobrecarregados estamos fazendo pior do que todos. 




O EVANGELHO É PARA TODOS




A palavra de Deus foi anunciada primeiramente aos judeus. É o anúncio para os de dentro, gente da mesma cultura.
Parte da tradição religiosa que o povo já tem. Anuncia Jesus como cumprimento das expectativas e profecias judaicas. Anuncio aos que estão perto de nós. Nossos amigos e familiares.


Depois anunciada aos de fora isto é os não judeus, povos de outras culturas e nações como nós, de início chamados de "gentios". Isto é aos que estão longe.
Parte do reconhecimento de Deus que a salvação é destinada à todos. A palavra de Deus é oferecida a todos sem exclusão, de raça e cor.
Anuncia o essencial sobre o Cristo e aceita a diversidade cultural. Ou seja o Evangelho deve agir junto com as culturas.  


A palavra de Deus deve chegar aos mais simples, aos excluídos da sociedade. Jesus é essa PALAVRA que liberta e salva. O Evangelho é para os pobres, os simples de coração e os trabalhadores. Para nossos amigos e inimigos, os de casa e os de fora; gente de toda classe social, mas primeiramente dos humildes e sofredores. Jesus  vem como libertador e salvador. Pois a salvação é universal e se estende a toda obra de Deus. Não interessa a quem de fato mas aos quantos a aceitarem. Nossos gestos concretos devem ser coerentes com esta verdade que aprendemos de Jesus. "Evangelizar é preciso!" nos diz o Pe. Reginaldo Manzotti. Não perca seu tempo com coisas inúteis, evangelize, Deus lhe dará o cêntuplo. Não precisa de muitas palavras, um simples gesto de amor faz a diferença.  


Desta forma é preciso que a Palavra chegue a todos, assim como disse são Paulo, o Evangelho deve ser insistentemente proclamado para que a salvação chegue a todos os povos. 
Lembremos pois da coragem dos primeiros missionários que chegaram na América Latina e nos trouxeram o evangelho e a fé da Igreja. Quantos plantaram aqui a semente, o "proto Evangelho". Hoje somos convidados à partir desta reflexão a sermos mais coerentes e ardorosos no anúncio da Boa Nova de Jesus. Confiando no que Jesus outrora disse aos Apóstolos: "Não tenham medo eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos!"    



A ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURAÇÃO DA IGREJA COMO INSTITUIÇÃO RELIGIOSA  





Sabemos que quem fundou a Igreja foi o próprio Jesus, ele por sua vez constituiu os Apóstolos como um colégio estável de pastores. Jesus elegeu como chefe e seu representante visível aqui na Terra, Pedro escolhido entre os doze Apóstolos. Esse sacerdócio ministerial de Jesus confirmado na última Ceia, logo depois de sua morte, ressurreição e ascensão, iniciou-se a caminhada da Igreja no dia de Pentecostes, como lemos acima. Os Apóstolos não foram enviados independentemente, mas em um grupo de doze. Como se nota nos envangelhos a expressão: "um dos doze". É a todos juntos que Jesus confia a missão de pregar o Reino de Deus. E por Ele são enviados de dois em dois.
Depois da Ascensão, (é bom lembrar) que Jesus confirma a Pedro o dever de apascentar seu rebanho, isto é, o povo que formaria a Igreja, nova família de Deus por Jesus, ou seja, todos nós batizados. Entrega a Pedro esta mesma missão que é sua e que Ele tinha recebido de Deus Pai. Vemos que a Igreja se organizara tendo a frente pessoas que colaborararam nos serviços pastorais: os diáconos e outros que, juntamente com os Apóstolos, cuidavam de dar assistência aos pobres e pregar a palavra de Deus.

A missão que o Senhor confiou aos Apóstolos durará até sua segunda vinda, isto é a PARUSIA.
A fim de que tal missão fosse cumprida, segundo a vontade de Jesus Cristo, os Apóstolos trataram de estabelecer a Igreja. Tendo também, para o cumprimento da missão que lhes foi entregue pelo Senhor Jesus a obrigação de colaborarem entre si e com o sucessor de são Pedro, (chamado de Papa=Pai) em quem está estabelecido o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade da fé e comunhão eclesial. Por sua vez, os sucessores dos Apóstolos , os bispos é princípio e fundamento da unidade nas respectivas Igrejas particulares, (dioceses).

IMPORTANTE - o bispo é sucessor dos Apóstolos, para isso têm que ter autoridade do Santo Padre para exercer esse ministério. Não se pode adquirir esse título para si mesmo como vemos acontecer nas seitas ultimamente. O bispo deve ser sagrado pelo Papa, legítimo representante de Jesus na Terra. Mantendo íntegro o poder da Instituição divina, o bispo escolhe seu representante legal, os presbíteros ou padres, aos quais cuidam de uma comunidade, também chamada de Igreja Paroquial. O bispo tem na sua Igreja particular, a consciência de fazer de um corpo indiviso levou os bispos ao longo da História da Igreja, a valerem-se, no desempenho da sua missão, de instrumentos, órgãos ou meios de comunicação que manifestassem a comunhão e a solicitude por todas as Igrejas, e dão continuidade  precisamente à vida do colégio dos Apóstolos: a colaboração pastoral, as consultas, a ajuda mútua.

Desde os primeiros séculos esta realidade de comunhão  encontrou uma expressão particularmente qualificada e característica na celebração dos concílios. Eram ecumênicos e também particulares, tanto plenários como provinciais que foram frequentemente celebrados pela Igreja desde o século II. 

Este costume da celebração dos concílios particulares continuou ao longo da história de toda Idade Média. Depois do Concílio de Trento (1545-1563), porém, tal celebração regular foi-se tornando sempre mais rara. Todavia o Código de Direito Canônico, de 1917, com a intenção de dar novamente vigor  à veneranda Instituição, apresentam também disposição para celebração dos concílios particulares. O cânon 281, do citado Código, referia-se ao concílio em plenário,estabelecendo que pudesse celebrar com autorização do Sumo Pontíficem, ou seja, do Papa, que designava um delegado para convocá-lo e presidi-lo.

No mesmo código previa-se a celebração dos concílios provinciais e de conferências ou assembléias dos bispos de uma província, para tratar dos problemas das dioceses e preparar o concílio provincial. E no novo Código de Direito Canônico, de 1983, contém igualmente ampla regulamentação sobre os concílios particulares, sejam plenários ou provinciais.

No século passado, em consonância com a tradição dos concílios particulares, nasceram em diversos países, por razões históricas, culturais e sociológicas e por objetivos pastorais específicos as Conferências dos Bispos, (como a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Conferência dos Bispos Latino Americanos). Tendo a finalidade de enfrentar várias questões eclesiais de interesse comum e encontar as soluções mais oportunas para as mesmas. Ao contrário dos concílios, essas conferências tiveram um caráter estável e premanente. 

O Concílio Vaticano II, no Decreto "Christus Dominus", trata expressivamente das Conferências dos Bispos, pondo em relevo o fato de estarem já constituídas em muitas nações e estabelecendo normas particulares para as mesmas. O Concílio reconheceu a oportunidade e a fecundidade de tais organismos, considerando muito convivente que, em todo mundo os bispos da mesma nação, reuniam-se em assembleias periodicamente, para que, da comunicação de pareceres e experiências e trocas de opiniões, resulte uma santa colaboração de esforços para o bem comum de toda Igreja. 


APOSTÓLICA

Texto de: Ir. Gregório D. Bastos, obi. OSB 

"Não podemos, caríssimos, de modo algum, duvidar que toda a observância cristã procede de instruções divinas e de que tudo o que a Igreja recebeu como costume de devoção provém da tradição apostólica e do ensinamento do Espírito Santo".

Eu não poderia iniciar esta matéria sem o auxílio da voz sábia da Igreja, de São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja.
É pela graça de Deus que temos  a Igreja Católica, desde Pedro até os dias de hoje, guardiões da fé e administradores dos sacramentos. Se não fosse pelos Apóstolos e a sua sucessão, hoje, caro leitor, você não receberia a Sagrada Eucaristia e os demais sacramentos.

Nossa amada Igreja foi constituída do Coração de Jesus na Cruz e assentada na fé dos Apóstolos. Veja o que fala Paulo sobre a Igreja:
"Edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Jesus Cristo". (Ef 2, 20)

É uma Igreja sem igual saber que estamos na casa do Pai, sob sua proteção e amor. Simplesmente não há como deixar esta casa!
Cristo escolheu os Apóstolos (Lc 6, 12-16) e o chefe da Igreja (Mt 16, 18-19), entregando à Simão Pedro a autoridade e a confiança na sua administração.
"E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: Tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus".

Cristo dá uma novo nome a Simão. Isso se chama "onomástico", ou seja, um nome que traduz a missão do religioso. Neste caso, Cristo demonstra a missão do nosso primeiro Papa: "Eu te declaro: Tu és Pedro", ou seja, você é a pedra, a rocha, a coluna sobre a qual edificarei a minha Igreja. Meu coração se enche de alegria ao escrever esta matéria, pois Pedro cumpriu sua missão como ninguém. A Igreja permanece inabalável por mais de dois mil anos, pelas mãos de Pedro e de seus sucessores.

Foi Cristo quem deu a autoridade de confirmação da Igreja a Pedro (Lc 22, 32): "Mas eu rogarei por ti, para que a tua confiança não desfaleça e tu por sua vez, confirma os teus irmãos."

E isso aconteceu pela primeira vez com o diácono Estêvão (Atos, 6). E, desde então, o chefe da Igreja confirma seus novos bispos. Desde o tempo de Pedro e dos outros Apóstolos, não houve interrupção. Pedro ordenou seus bispos e padres (ou presbíteros), que continuaram Ordenando novos bispos e padres, até os dias de hoje , numa linha contínua de amor, confiança e sobretudo, estável. 



ROMANA


"Eu te declaro: Tu és Pedro, (=rocha, pedra), e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja." (Mt. 16, 18)

Esta frase de Nosso Senhor Jesus Cristo enfatiza a criação de sua Igreja e, literalmente, (não só da Igreja espiritual que somos nós), mas,  da Igreja prédio, edifício, construída de argamassa, pedra, areia, etc.

Naquela época, o regime Romano condenava à morte, pela crucificação, alguns presos, tanto que foram crucificados dois ladrões ao lado de Cristo. São pedro foi martirizado em Roma, recebendo por condenação, a crucificação, tendo como último pedido, que fosse crucificado de cabeça para baixo, por não se achar digno de morrer como Jesus Cristo.

Foram realizadas algumas escavações arqueológicas em Roma, sendo localizado um túmulo sob a Basílica Vaticana, com inscrições a carvão (graffiti), com honrosas a São Pedro. Vejam, amados leitores (deste amigos deste blog), a Igreja de Cristo, fora de fato, edificada sobre a Rocha (Pedro)
Roma foi o Império mais poderoso durante décadas. Em 330 d.C. , o filho de Santa Helena, o Imperador Romano Constantino, se converteu ao cristianismo e proibiu a perseguição aos cristãos através do "Edito de Milão".
Não bastasse isso, o Imperador transferiu a capital do Império para Bizâncio (hoje Istambul, na Turquia). Roma ficou sendo administrada por um conselho ligado ao Imperador. Entretanto, a cada dia que passava, o Império ia perdendo o interesse por Roma, no Ocidente.

Por conta deste descaso, a figura do bispo de Roma crescia cada vez mais, tendo feitos inimagináveis, como o do Santo Padre, o Papa Leão Magno, que convenceu o bárbaro Átila (o Huno) a desviar seu caminho e deixar Roma intacta de sua pilhagem (destruição da cidade, roubo de mercadoria e alimentos, e escravização da população).

Com feitos como esse, Roma deixou de ser devastada diversas vezes. Era comum à época dos nobres doarem bens em nome do crescimento da Igreja, ainda em vida ou após à morte como espólio, aumentando, desta forma os bens da Igreja.
Com isso a pessoa do Santo Padre crescia como pai espiritual, carregando consigo a sina de ser Tutor Público dos bens de Roma, passando o legado de uma Papa a outro.

Com o passar do tempo, vários governantes da Itália e do Mundo tentaram  retomar a sede de romana. Porém, esta disputa terminou em 11/02/1929, com o Tratado de Latrão, reconhecendo a absoluta soberania do Papa como chefe da Cidade do Vaticano, o menor Estado do Mundo, que recebeu o Direito Diplomático entre os demais Estados, ou seja, o Vaticano tornou-se um País.

Com isso encerramos uma boa parte da História de nossa Igreja. Agora podemos dizer de verdade: "Sou Católico Apostólico Romano".

Texto de: Ir. Leonardo Duarte Bastos, obl. OSB.                

 

     
      
   

     


        


           

      
          
                     


   


           
                        













      

















       


    







       

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